[:fr]La violence contre les femmes sourdes au Brésil[:pt]Violência contra as mulheres surdas no Brasil[:]

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La violence contre les femmes sourdes au Brésil

Un texte et projet de recherche de Danielle Vanessa Costa Sousa , chercheuse postdoctorale (Université fédérale de Santa Catarina, Brésil) et de Dr. Daniel do Nascimento e Silva (Université fédérale de Santa Catarina, Brésil).

 

Cette recherche postdoctorale a pour but de comprendre les dimensions communicatives et sociales de la violence contre les femmes sourdes au Brésil. Elle se déroule en deux étapes : la première, de nature quantitative, consiste à vérifier les chiffres concernant les plaintes déposées par les femmes sourdes auprès des commissariats de police dédiés à la protection des femmes dans les 26 États brésiliens et le District Fédéral et aussi à préciser si des commissariats disposent de services de traduction et d’interprétation en langues des signes. La deuxième étape, de nature qualitative, présuppose des entretiens semi-structurés avec des femmes sourdes qui portent plainte, et aussi avec celles victimes de violence, mais qui ne portent pas plainte, ainsi qu’avec des professionnels qui s’occupent de ces femmes et également des chargés de gestion. En plus, d’autres ressources de la méthode d’observation participante, comme les cercles de dialogue, seront également mises en oeuvre.

Cette recherche est le fruit des réflexions qui se sont dégagées des études doctorales de Mme Sousa : une étude ethnographique axée sur l’interaction dans le cadre de l’enseignement de la langue des signes brésilienne (Libras, l’abréviation en portugais) à des enfants entendants par une enseignante sourde au sein d’une école publique située dans une ville de la région sud du Brésil. Au cours de cette recherche, quelques enfants ont profité de la surdité de l’enseignante pour faire du bullying, c’est-à-dire, pour faire du harcèlement, pour intimider, proférer des jurons et faire des remarques méchantes à son égard.

Il convient de souligner que l’histoire de vie de cette enseignante a été marquée par des expériences du harcèlement scolaire de la part de ses collègues entendants au sein de l’école inclusive dans laquelle elle étudiait. Selon l’enseignante, au-delà des harcèlements scolaires, sa vie a été marquée par des situations d’humiliation et d’exclusion par ses collègues et ses enseignants entendants. Toutes ces situations ont poussé Mme Sousa à se mettre en quête de la situation réelle de vulnérabilité des femmes sourdes au Brésil, aussi bien dans le contexte scolaire qu’en dehors.
Dans ce but, on est en train de conduire une première enquête auprès des secrétariats de la sécurité publique des États brésiliens et du District fédéral, et, si jamais nécessaire, auprès des commissariats de police dédiés à la protection des femmes, afin d’obtenir les données statistiques relatives à des plaintes des femmes sourdes et des informations sur les services de traduction et d’interprétation des langues des signes disponibles au niveau des commissariats.

Selon les premiers résultats de la recherche, la plupart des États brésiliens ne disposent pas de relevés des plaintes liées à la violence contre des femmes sourdes ni de services d’interprétation en langue des signes brésilienne (Libras). Après avoir terminé la collecte des données, on envisage de conduire une étude qualitative autour de celles-ci. L’étude qualitative suivra les principes majeurs de la recherche ethnographique, par le biais de l’observation participante de commissariats dédiés à la protection des femmes, les entretiens avec des femmes sourdes qui ont été victimes de la violence de genre et avec des individus qui réalisent et/ou prennent en charge les soins des femmes.

Les données obtenues aideront à la production d’un matériel bilingue (portugais-Libras) qui fournira des informations sur la prise en charge des femmes sourdes au sein des commissariats de police et des institutions publiques qui travaillent contre la violence de genre, étant donné que ces femmes sont des victimes potentielles parce qu’elles font partie d’un groupe vulnérable en raison du manque d’accès à la communication en Libras dans plusieurs institutions publiques au Brésil.[:pt]

Violência contra as mulheres surdas no Brasil

Texto escrito por : Dra. Danielle Vanessa Costa Sousa (Universidade Federal de Santa Catarina-UFSC) Aluna de pós-doutorado: 
Supervisor: Prof. Dr. Daniel do Nascimento e Silva (Universidade Federal de Santa Catarina-UFSC).

A presente pesquisa de pós-doutorado tem como objetivo entender as dimensões comunicativas e sociais da violência contra as mulheres surdas no Brasil. O estudo pressupõe duas etapas: a primeira, de cunho quantitativo, consiste em verificar números de denúncias de mulheres surdas nas delegacias especializadas de proteção à mulher nos 26 estados brasileiros e o Distrito Federal, e se as delegacias dispõem dos serviços de tradutores e intérpretes de línguas de sinais. A segunda, de cunho qualitativo, prevê a realização de entrevistas semiestruturadas com mulheres surdas que buscam os serviços de denúncia, mulheres surdas que sofrem violência, mas não procuram esses serviços, bem como profissionais que atendem essas pessoas e gestores. Rodas de conversa e outros recursos de observação participante também serão contextualmente mobilizados.

Esta pesquisa surgiu de reflexões que emergiram do doutorado de Danielle Sousa, um estudo etnográfico centrado na interação em um contexto de ensino de Libras para crianças ouvintes por uma professora surda, em uma escola pública situada em uma cidade da região sul do Brasil. Nesta pesquisa, algumas crianças se aproveitavam do fato da professora não ouvir para fazer bullying, xingar e proferir comentários preconceituosos sobre a professora.

A história de vida da professora foi marcada por experiências de bullying na escola inclusiva onde ela estudou, por parte de colegas ouvintes. De acordo com a professora, além do bullying, a sua vida foi marcada por situações de humilhação e de exclusão de colegas e professores ouvintes. Essas situações motivaram Danielle Sousa a buscar compreender a situação real de vulnerabilidade de mulheres surdas no Brasil, dentro e fora do contexto escolar.

Para tanto, estamos realizando um levantamento inicial, junto às Secretarias de Segurança Pública dos estados brasileiros, e quando necessário, junto às delegacias especializadas de proteção à mulher, para obter os dados estatísticos de denúncias de mulheres surdas e informações dos serviços de tradutores e intérpretes de línguas de sinais nas delegacias.

Os resultados iniciais da pesquisa têm mostrado que a maior parte dos estados do Brasil não possuem registros de denúncias de violência contra mulheres surdas, bem como não dispõem do serviço de interpretação da Língua Brasileira de Sinais. Após a finalização da geração de dados, pretendemos realizar um estudo qualitativo sobre esses dados iniciais que estão sendo gerados. O estudo qualitativo seguirá os princípios mais amplo da pesquisa etnográfica, com observação participante de delegacias especializadas ao atendimento à mulher, entrevistas com mulheres surdas que tenham sido afetadas pela violência de gênero e com pessoas que realizam e/ou gerem o atendimento à mulher.

Os dados gerados poderão auxiliar na produção de um material bilíngue (Português-Libras) que trará orientações para o atendimento de mulheres surdas em delegacias e órgãos públicos que agem contra a violência de gênero, uma vez que estas mulheres são potenciais vítimas por fazerem parte de um grupo vulnerável em função da falta de acesso comunicativo em Libras em diferentes órgãos públicos do Brasil.

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